Informações sobre leptospirose, causas, sintomas, prevenção e tratamento da leptospirose, identificando práticas que possam contribuir para uma diminuição da sua ocorrência. Abordamos também a leptospirose canina, assim como em outros animais.

Epidemiologia da leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa distribuída em todos os continentes, sendo comum e economicamente importante em todo o mundo. Animais, incluindo humanos, podem ser divididos em hospedeiros de manutenção (reservatórios) e hospedeiros acidentais (incidentais). A doença é mantida na natureza pela infecção crônica dos túbulos renais nos hospedeiros de manutenção, sendo os organismos eliminados pela urina (leptospirúria). Um hospedeiro de manutenção é definido como uma espécie na qual a infecção é endêmica e usualmente transmitida de um animal para outro por contato direto. Animais podem ser hospedeiros de manutenção de alguns sorovares e hospedeiros acidentais de outros, sendo que neste último caso a infecção pode ser severa ou fatal.
Uma vez infectados, os reservatórios apresentam colonização persistente dos túbulos proximais renais e disseminam de forma assintomática o organismo para o ambiente através da urina ou secreções, contaminando coleções de água e solo, sendo a água o principal veículo de transmissão da doença. O sorovar que predomina no ambiente urbano é o Copenhageni e o seu reservatório principal é o Rattus norvegicus (rato marrom ou rato de esgoto) . As leptospiras dependem de condições especiais no meio ambiente para que se mantenham vivas, como umidade e pH neutro à levemente alcalino, podendo, porém sobreviver por um curto período em pH mais ácido e por até 3 meses em urina diluída com águas da chuva. Onde condições como estas são encontradas, a prevalência de infecção acidental é maior. Ambientes favoráveis para a sobrevivência de leptospiras são menos importantes na epidemiologia dos hospedeiros de manutenção.
Em humanos, a infecção por leptospiras pode ser causada por qualquer um dos sorovares patogênicos, o que torna complexo o estudo epidemiológico da doença. Felizmente, apenas um pequeno número de sorovares é endêmico numa região em particular ou país. Diversas espécies de mamíferos servem de reservatórios para o agente e mantém a transmissão da leptospirose na natureza. Como determinadas espécies de reservatórios costumam estar associadas a alguns sorovares, o conhecimento sobre quais são os reservatórios e os sorovares circulantes em uma região é essencial para o entendimento da epidemiologia da leptospirose no local.
O período de incubação médio após a infecção de um hospedeiro humano por leptospiras patogênicas é de 7 a 14 dias. A infecção é capaz de produzir uma grande variedade de manifestações clínicas, como uma infecção subclínica seguida de soroconversão, uma doença febril aguda autolimitada e a de uma doença grave e potencialmente letal que pode se apresentar por qualquer combinação entre insuficiência renal aguda, icterícia, sangramentos e pneumonite. A forma grave, que se manifesta por icterícia, insuficiência renal aguda e sangramento (síndrome de Weil) tem letalidade >10%. A forma grave associada a sangramento pulmonar maciço é conhecida como síndrome de hemorragia pulmonar grave (SHPS) e apresenta uma letalidade >50%.
O início da doença, tanto nas formas leves e autolimitadas quanto nas formas graves, costuma ser súbito. O paciente apresenta febre alta, algumas vezes acompanhada de calafrios, cefaléia, mialgia, anorexia, prostração, náuseas e vômitos. Este quadro inicial é de difícil diagnóstico e se confunde com doenças como dengue, influenza, gastrenterite e outras viroses. Este quadro se resolve espontaneamente em poucos dias em mais de 90% dos pacientes e não deixa seqüelas. Entretanto, 5-10% dos pacientes pode evoluir para formas graves da doença, o que em geral ocorre ainda na primeira semana de sintomas. Os mecanismos patogênicos que determinam a progressão para formas graves da doença ou para infecções subclínicas permanecem desconhecidos, mas devem estar relacionados a características de virulência do organismo, a dose de inóculo durante a infecção, a características da resposta imune do hospedeiro ou uma interação entre estes fatores.
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